Reflexõesdosestudantes da AEF após a visita ao Il Memoriale delle Deportazioni em Florença
No dia 10 de outubro de 2025, os estudantes da aula de História da professora Floarea Vîrban visitaram o Il Memoriale delle Deportazioni, também conhecido como Il Memoriale Italiano di Auschwitz, um espaço imersivo e emocional dedicado à memória, à responsabilidade e à dignidade humana.
Para muitos estudantes, entrar na instalação em espiral do Memoriale foi uma experiência inesquecível. Alguns a descreveram como “triste, mas poderosa”, “muito intensa e inquietante” e “verdadeiramente reveladora”. Outros refletiram sobre a intensidade emocional da visita, reconhecendo ao mesmo tempo a sua importância para o crescimento académico e pessoal durante a experiência de estudar no exterior.
O que tornou a experiência especialmente significativa foi a oportunidade de abordar o Holocausto e o Fascismo a partir de uma perspetiva italiana. Vários estudantes observaram que, antes de chegarem a Florença, a sua compreensão da Segunda Guerra Mundial tinha sido moldada principalmente por narrativas americanas. O museu desafiou essa visão limitada e incentivou-os a enfrentar verdades mais complexas sobre o Fascismo italiano, a colaboração com a Alemanha nazi e a perseguição das comunidades judaicas dentro da própria Itália.
Os estudantes ficaram particularmente impressionados com a honestidade com que o museu aborda o papel da Itália no Fascismo. Refletiram sobre como a história pode ser facilmente simplificada quando observada apenas através de perspetivas nacionais. A exposição incentivou-os a pensar criticamente sobre propaganda, responsabilidade política e sobre as formas como as sociedades podem normalizar gradualmente a discriminação e a violência.
Para alguns estudantes, a visita também esteve profundamente ligada à identidade pessoal e à história familiar. Estudantes judeus refletiram sobre memórias e histórias transmitidas de geração em geração, enquanto outros relacionaram a experiência às suas origens italianas ou a histórias familiares ligadas à Segunda Guerra Mundial. Estas reflexões pessoais transformaram os acontecimentos históricos em algo profundamente humano e imediato.
O Memoriale também ajudou os estudantes a compreender a história não apenas como uma coleção de datas e acontecimentos, mas como uma experiência humana vivida. Como muitos observaram, estudar história significa compreender as consequências do silêncio, da indiferença e do medo, mas também reconhecer a coragem daqueles que resistiram à opressão e defenderam a dignidade humana.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu no final da visita, quando os estudantes ficaram diante de uma grelha de espelhos ao lado de imagens de ativistas dos direitos humanos. Ver os próprios reflexos ao lado de pessoas que lutaram pela justiça deixou uma impressão duradoura. Os estudantes perceberam que a memória não pode ser passiva: recordar deve inspirar responsabilidade e ação no presente.
Esta reflexão levou naturalmente os estudantes a relacionar a experiência com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, especialmente o Objetivo 16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Muitos estudantes destacaram como o museu demonstra os perigos que surgem quando as instituições deixam de proteger a verdade, a justiça e os direitos humanos. Refletiram sobre como a paz permanece frágil quando as sociedades toleram discriminação, autoritarismo ou silêncio político.
Outros relacionaram a visita ao Objetivo 10: Redução das Desigualdades, reconhecendo como as leis raciais fascistas institucionalizaram a exclusão e a discriminação. Alguns refletiram sobre como o preconceito é gradualmente normalizado através de estereótipos e medo, enquanto outros ligaram a exposição a questões contemporâneas relacionadas ao racismo, à discriminação e à marginalização.
Os estudantes também discutiram o Objetivo 5: Igualdade de Género, após observarem a propaganda fascista que reforçava papéis rígidos de género, e o Objetivo 3: Saúde e Bem-Estar, refletindo sobre os abusos médicos desumanos cometidos durante o Holocausto.
No final, a visita ao Memoriale tornou-se muito mais do que uma simples visita académica. Tornou-se uma oportunidade para refletir sobre memória, responsabilidade e o papel que cada indivíduo desempenha na construção da sociedade. Como observou um estudante: “Este museu não contém apenas um monumento às vítimas — é uma mensagem para os vivos.”
Na AEF, experiências como esta lembram aos estudantes que a educação não significa apenas adquirir conhecimento, mas também tornar-se cidadãos globais mais conscientes, responsáveis e atentos.
